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American Ballet Theatre corps Kaho Ogawa 10 pirouettes

Eu me soltei! Estava livre. Sumi do mapa, nem gps me encontrava. Deletei algumas redes sociais e cortei outras invisíveis que me cercavam. Pisei na calçada com os pés descalços e não pensei para onde iria, involuntariamente fui. Fui brincar de ser feliz, de ser minha, só minha e de todo o mundo. Fui cuidar de andar sozinha, de olhos vendados, sem medo de atravessar a rua. Cheguei viva ao outro lado, ufa. Eu estava livre, livrinha, livrada. Nenhum livro me descreveria. Não atendi telefonemas, lancei o aparelho numa fonte pois não tinha moeda. Não respondi, não briguei. Sequer senti as mãos tremerem ao dar as costas ao mundo todinho como era. Não li notícias, não soube das fofocas que rondam as esquinas. Eu andei no meio de cada rua. Fui curtir meu eu! Me conhecer, me comprar um sorvete… me apaixonar por mim.
Rio-doce.   
Você não merece representar tudo de bom que eu jamais vi em um outro ser humano. Você não merece me derreter como se tivesse a porra de um raio laser implantado na sua íris. Você não merece ser a única pessoa em todo o planeta que sabe como me fazer sentir alguém admirável e especial no meio dessa aglomeração selvagem de gente histérica e egoísta por todo lado. Você não merece modificar toda a minha estrutura de vida apenas sendo isso que você é.
Gabito Nunes